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Igreja pede aos católicos para visitarem doentes sós

A Igreja está a pedir aos católicos para visitarem os doentes que estão sozinhos em casa e quer valorizar a celebração do último dos sete sacramentos, a Unção dos Enfermos.

A Comissão Nacional da Pastoral da Saúde (CNPS) sugere às paróquias que reúnam voluntários para acompanhar os doentes no domicílio, fazendo-lhes uma “visita festiva que, para além dos sacramentos, proporcione a oração em comum e lhes dê a alegria de serem membros vivos da comunidade cristã”.

No desdobrável alusivo ao Dia Mundial do Doente, que a Igreja assinala a 11 de fevereiro, a CNPS propõe igualmente a celebração solene da Unção dos Doentes enquanto “sacramento de cura”.

O organismo coordenado pelo monsenhor Vítor Feytor Pinto aconselha também a realização de uma reflexão “sobre o valor positivo da doença e do sofrimento, lugares de esperança para o cristão”.

O folheto explica a passagem bíblica que o Papa Bento XVI escolheu para a sua mensagem dedicada ao Dia Mundial do Doente de 2012, “Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!”, que de acordo com o evangelho segundo São Lucas foi proferida por Jesus a um de 10 leprosos que tinha curado.

“‘Levanta-te’ é não só um convite a que cada doente colabore na sua recuperação clínica, como sobretudo é a sugestão a que inicie um processo de conversão, isto é, a sua renovação espiritual e sobrenatural”, sublinha a Comissão.

A ordem “Vai”, por seu lado, constitui “um imperativo para a mudança radical de vida, do desespero à esperança, do desânimo à confiança, da dúvida à fé, da mediocridade e rotina ao compromisso cristão”.

A expressão “a tua fé te salvou”, refere o desdobrável, “revela a espiritualidade e até a vida religiosa como elemento essencial, mesmo de natureza terapêutica, no tratamento e na cura do doente”.

A mensagem do Papa chama a atenção para os "sacramentos de cura": Reconciliação, comummente denominada Penitência ou confissão, Unção dos Doentes e Eucaristia (comunhão).

Os textos litúrgicos referem sempre a “cura física” mas salientam “com clareza a cura espiritual, também ela importante no cuidado a ter com os enfermos”, salienta a Comissão, acrescentando que um doente “fortalecido na fé” tem mais condições para ganhar esperança e lutar pelo restabelecimento da saúde.

No ano que a União Europeia dedica ao Envelhecimento Ativo, a comunicação social portuguesa tem noticiado nos últimos dias vários casos de idosos encontrados mortos em suas casas

O presidente da Federação das Instituições da Terceira Idade, José Batalha, defendeu em texto publicado no semanário Agência ECCLESIA que “é tempo de incentivar e promover a prestação de cuidados domiciliários no sentido do manter o idoso na sua habitação, sempre que possível”, valorizando esses encargos através de dedução fiscal.

O dossier da mais recente edição do Semanário Agência ECCLESIA é dedicado ao Dia Mundial do Doente, que a Igreja Católica na data em que evoca a aparição da Virgem Maria em Lourdes, França.

RJM

 

 

 

 
Solidão dos idosos é «submundo dramático»

A solidão dos idosos é um “submundo dramático” onde o medo é o principal obstáculo à ajuda, disse hoje o padre José Maia, responsável por projetos de combate à pobreza, da Fundação Filos.

“Eles (os idosos) não querem que se saiba que estão sós, têm medo que os mandem para um lar; outros receiam que a família não goste que se saiba e os deixe de visitar; ou temem a insegurança e por isso não abrem a porta”, afirmou o sacerdote à Agência ECCLESIA.

Lançado em dezembro de 2011, o projeto Casa dos Vizinhos está ainda de porta fechada e 25 voluntários, os Sentinelas, aguardam poder visitar famílias e promover atividades que cada rua considere necessárias, uma resposta de “ordenamento social rua–a-rua” que quer devolver o espaço urbano aos cidadãos.

“É muito difícil referenciar as pessoas”, explicou o pároco de Nossa Senhora da Areosa, na diocese do Porto, exemplificando: “numa rua onde eu sei que há idosos pobres a viver sozinhos, jovens voluntários do projeto meteram 120 cartas nas caixas do correio com contactos disponíveis para ajudar, e curiosamente, não houve um único pedido de ajuda”.

O sacerdote falou de um “submundo dramático. Há a pobreza envergonhada mas, no caso da solidão, há o medo, porque quem tem fome vai à procura de comida e sabe-se quem é; com a solidão não se sabe”, lamenta quem há mais de um ano acompanha equipas de rua na referenciação de pessoas.

A Casa dos Vizinhos, do Movimento Comunidades de Vizinhança, quer ser um local onde “os idosos em solidão possam conviver” na sua própria rua, valorizando o espaço urbano e “humanizando a cidade”.

“Há muita gente que vai para lares e pode encontrar resposta na sua própria rua”, disse o padre Maia, que vê nas artérias do Porto “uma identidade e um espaço que pode ser melhor aproveitado”.

Nas freguesias de Paranhos e da Campanhã, a Fundação Filos referenciou 16 675 idosos a viver em pobreza, “alguns em casas degradadas e sem condições para convalescença quando têm alta do hospital”.

Para ultrapassar a dificuldade de referenciação a Casa dos Vizinhos é divulgada numa rádio local “muito escutada pela população mais idosa”, onde a Fundação Filos dispõe de um programa ao sábado de manhã, permitindo “criar canais de confiança com o ouvinte”.

A Polícia de Segurança Pública, os comerciantes (farmácias, cafés), a Santa Casa da Misericórdia e outras instituições que trabalham com os idosos são parceiras deste projeto que quer combater a solidão.

O padre José Maia quer ainda solicitar ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social que no envio das reformas, faça acompanhar uma carta explicando este projeto às pessoas que, afirma, “nunca será uma instituição social”.

"Que o povo de cada rua saia da indiferença e se preocupe mais com o que se passa à sua volta”, fazendo da rua “um condomínio" e dos moradores "uma família", criando "um parentesco de vizinhança” é o desejo do padre José Maia.

Para contactar a Casa dos Vizinhos pode fazê-lo através do telefone 225 488 003.

LS

 
Braga/Guimarães: Capitais europeias são «oportunidade de evangelização»

As Capitais Europeias da Cultura, em Guimarães, e da Juventude, em Braga, são uma ocasião para sublinhar a presença da Igreja Católica nestas cidades, considera o bispo responsável pela relação com a cultura em Portugal.

Os dois eventos, que se realizam na arquidiocese bracarense em 2012, constituem “uma oportunidade de evangelização”, afirmou D. Pio Alves, em declarações hoje publicadas pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

“Tendo em conta que Guimarães é uma cidade com uma presença ainda consistente do cristianismo, é natural que os visitantes possam encontrar-se com um ambiente com marcas notáveis da presença cristã”, sublinhou o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Para este responsável, natural da Arquidiocese de Braga e especialista no estudo das origens do cristianismo da região, a herança cristã nas duas cidades é “notória ao nível da arte, dos costumes e das tradições”.

“Tanto quanto me tenho apercebido, a Diocese de Braga está atenta para aproveitar esta especial concentração para se tornar presente”, assinalou D. Pio Alves, atualmente um dos bispos auxiliares do Porto.

Em declarações à Agência ECCLESIA sobre a Capital Europeia da Cultura, D. Jorge Ortiga realçou que cidade de Guimarães vai receber no final deste ano um encontro do ‘Pátio dos Gentios’, nova estrutura do Vaticano para o diálogo com os não crentes.

Esta edição está a ser programada com o Conselho Pontifício para Cultura, organismo da Santa Sé, e a Diocese de Braga e será integrada na programação da Capital Europeia da Cultura.

O arcebispo de Braga referiu também que serão apresentados, brevemente, “guias com diversos itinerários do património artístico da região”, dado que a cidade de Guimarães tem diversas igrejas com “significado histórico”.

A sessão de abertura da Capital Europeia da Cultura, que decorre este sábado às 18h00 no Pavilhão Multiusos de Guimarães, vai contar com a presença do novo cardeal português, D. Manuel Monteiro de Castro, revelou à Agência ECCLESIA a Câmara Municipal local.

A mesmo fonte confirmou a participação do núncio apostólico [embaixador da Santa Sé] em Portugal, D. Rino Passigato.

D. Manuel Monteiro de Castro, natural de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, é um dos convidados de honra da cerimónia de abertura, na qual vão estar também presentes o presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso.

O evento vai contar ainda com a presença de D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, adianta o site da diocese.

O programa de Braga Capital Europeia da Juventude, que arrancou no sábado, prevê a realização, de 21 a 28 de outubro, da iniciativa “Aldeia das Religiões”, dedicada à reflexão sobre questões religiosas, assinala o SNPC.

SNPC/LFS/OC

 

 

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Ano Pastoral 2011/2012

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